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A demagogia mata…

Domingo, 2 de Novembro, 2008

…qualquer hipótese de diálogo útil, estimado Bernardo

A hipocrisia mata a inteligência grupal.

A conceptualização estanque mata a sinapse. A definição mata a poesia. A estatistica fere de morte a sensibilidade.

A cegueira..pois..essa mata a visão. Albert Einstein matou Jaques de La Palisse

monsieur de la palisse is dead

monsieur de la palisse is dead

Futurama

Domingo, 2 de Novembro, 2008

5 de Novembro de 2008

Barak Obama foi eleito Presidente dos Estados Unidos da América. Num discurso emocionado e perante uma multidão exultante, manteve o timbre insuflado e vazio de toda a campanha eleitoral. Fontes próximas do Sr.Presidente deixam escapar para a comunicação social:”amanhã é que é a sério, amanhã é que começa”.

Em relação às perguntas disparadas pelas centenas de jornalistas ávidos de algumas manchetes, a mesma fonte respondeu com várias frases emblematicas entre as quais: “assim não vale”, “assim o sr.Presidente não brinca”, ou ainda “o Sr Presidente é que é dono da bola pelo que o Sr jornalista é que vai à baliza” .

Nota de rodapé (2 de novembro): Depois de uma campanha eleitoral verdadeiramente tenebrosa, depois da evidencia reiterada da manutenção do esquema sórdido “hoje-financias-tu-amanhã-protejo-te-eu”, quase que me apetecia que o Sr.Obama não ganhasse. Mas há 2 motivos que me levam a continuar a torcer pelo desfecho previsto:

1) Os republicanos e tudo o que representam

2)A Voz do Sr. Obama. Magnífica. Quando dei por mim a pensar que não tenho a menor memória da voz do Sr.John Kerry, ou pouco me lembro da do Sr.Al Gore percebi que esta é uma voz que não posso deixar de me lembrar no futuro.

Sol enganador (Nikita Mikhalkov 1995)

Segunda-feira, 14 de Abril, 2008

sol-enganador.jpg

O que é fiável? Onde te podes segurar? Tens um espaço confessional? Em quem confias? Confias em ti? Pensas muito? E acreditas no que pensas? Podes acreditar? Deves? Acreditas na dúvida? Porque escreves de forma tão hermética? Temes? Escondes? Não sabes escrever?

Ou será que no fundo sentes que não tens nada a dizer, que toda a fuga ao estritamente extrínseco se perde no infinito e falha em verosimilhança face à totalidade da existência humana. Não escreves por arrogância? Ou não o fazes por conhecimento da tua limitação?

Sabes, no fundo somos todos uns snobs, que apenas hesitam na imagem a dar de si! Apenas a perda própria é encarada como perda. O mergulho de Narciso é universal.

La Meglio Gioventù (Marco Tullio Giordana 2003)

Segunda-feira, 7 de Abril, 2008

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Haverá quem tome por pobre, extenso, lamechas ou superficial o filme da minha vida. Acabei de o ver hoje, mais de um ano depois de me ter sido oferecido.

6 horas emotivas. Regresso a casa com um filme sobre o eterno regresso.

Olá! Tive (muitas)saudades vossas!

Matemática Simples

Quarta-feira, 9 de Janeiro, 2008

A esperada reacção da trupe à opção de Sócrates por deixar cair a promessa eleitoral de referendar o tratado que visa ratificar e legitimar a União Europeia não se fez esperar.

Caro Daniel, não entendo (ou entendo perfeitamente, ainda não decidi) a frase chavão que utilizou para descrever este facto. Não terá, decerto, dúvidas, que a opção de Sócrates é uma opção em favor de uma causa maior e com prejuízo da agenda politica nacional do próprio, ou terá?

Sócrates “herdou” esta promessa do esquivo José Durão Barroso. Conseguiu-se, depois de aturado trabalho, um tratado europeu - o tal de Lisboa - que, se não ratificado coloca em cheque todo o conceito de UE. É, provavelmente o último tratado deste género que se consegue, dada a reprovação ao anterior a que o povo francês o votou.

Urge, portanto, que a coisa não se complique, de acordo?

Se Sócrates optasse pelo prometido referendo:

a) Seria aprovado

b) Seria mais uma vitória pessoal de Sócrates

c) Finalmente auscultaríamos a opinião dos Portugueses sobre a União Europeia e calava-se o ímpeto aos pontuais anti-europeístas que por aí palpitam

Ou seja a+b+c= 3 vitórias de Socrates (mais a 4ª que seria uma promessa eleitoral cumprida, mas essa é oferecida)

por outro lado:

d) Abria-se a possibilidade a outros estados membros partirem para referendo (não esquecendo o exemplo recente de França (Sarkobruny já vetou possibilidade de novo referendo, desta vez))

e) Teríamos uma abstinência de tal ordem que Saramago começaria a escrever 3 sequelas do “Ensaio sobre a Lucidez”

f) Teríamos os portugueses a votar sobre um tratado que não conhecem, não leriam, e seria mais um episódio da militância incorrigível e desportiva com que o nosso eleitorado vota

d+e+f= Nenhum prejuízo para Sócrates na perspectiva pessoal; possibilidade de falência do tratado de Lisboa, colocando a UE em causa.

Matemática simples: (a+b+c)+(d+e+f)= Prejuízo pessoal do PM, possível ganho global.

E sabe, caro Daniel, eu gosto de quem decide assim. Fujo da critica fácil, quase ao nível da laracha e percebo a intenção das coisas. Com um pouco de bom senso perdem-se uns quantos slogans emblemáticos que enchem blogues e jornais de cores e adrenalina. Mas eu não o lamento. Não é defeito, é feitio!

Um abraço

Não ter filhos (também) é…

Domingo, 6 de Janeiro, 2008

..ainda não ter pretextos:

Acabou hoje a Vila Natal em Óbidos, que preencheu o imaginário de milhares de crianças do País.

E o meu!

Atchiiiiim!

Sábado, 5 de Janeiro, 2008

Santinho!

Um breve périplo pela blogosfera diária permite perceber que assuntos mais abespinham os internautas nos dias que correm: A Saúde e o Tabagismo (para já que se mantenham os dois assuntos em separado, já que o nível da discussão ainda não tem pontos de intersecção). Entende-se. Mas poucas são as vezes em que se encontra alguma sensatez no debate. Parece que todos temos alguma dificuldade em nos colocarmos longe dos extremos de opinião (esta sede da opinião firme é um fenómeno particularmente acirrado pelo espírito blogger). Na procura de ontem, contudo, pude encontrar, como é hábito no Aspirina B, uma opinião bem interessante, secundada, entretanto, por algumas outras a pedir discussão.

Neste bar já foram discutidas algumas das considerações da clientela, nomeadamente aqui e aqui pelo que não fará muito sentido uma repetição exaustiva daquela que é a opinião dos bebedores residentes.

Opiniões como a do estimado rvn , inflamada e altamente estilizada, são difíceis de rebater. Entenda, meu caro, que torna demasiado hermético o seu discurso mordaz, de onde se extrai a sua discordância, mas onde não se adivinha uma perspectiva, uma alternativa ou, sequer, uma ideia nova. A perspectiva de diabolizar o ministro, tal como aquela que ironicamente propõe e lhe é antagónica, vale igualmente de nada, como tão bem ilustrou. Concerteza que não achará que os inúmeros problemas do SNS surgiram de um momento para o outro, ou que tudo estaria bem antes de se iniciar esta tentativa de mudança, pelo que o convido a uma reflexão e debate mais aprofundado, já que me parece que, de facto, há muito a debater. Por exemplo, julgo não estar errado quando presumo ser natural do Arquipélago dos Açores, que me diz, nesse sentido, acerca da inexistência de taxas moderadoras no SNS da sua terra natal? Parece-lhe justo? Adequado? Uma resposta necessária à insularidade? Que mefistofélica figura encarnará Correia de Campos se impuser o fim dessa desigualdade? Entenda que o questiono sinceramente, por achar que estará melhor colocado para ter uma opinião valida que um qualquer continental.

Estimada Susana, consegue imaginar a dificuldade de impor um sistema semelhante ao de França em Portugal? Consegue imaginar o quanto seria infinitamente mais difícil fazer entender a população que teria de ter um seguro de saúde que ter que fazer 15kms de ambulância até ao SU mais próximo? Tem noção de quantas pessoas que recorrem actualmente aos hospitais o fazem na condição de isentos de taxa moderadora? E que de outra forma não o poderiam fazer? Quanto ao mais surpreende-me, de facto, que extrapole de uma experiência isolada de recurso a serviço médico em França para ser tão contundente na confrontação com os Portugueses. Até se fala do juramento de Hipócrates. Não me parece que esteja a ser muito justa quando o faz. A situação que descreve como tendo ocorrido com o seu filho ocorre, diariamente, centenas de vezes em Portugal. Outras não, como não ocorrerá sempre em França. O que me parece enviezado é tomar a parte pelo todo e o todo pela parte, de forma arbitrária, conseguindo, assim, sustentar uma opinião. Não me interprete mal, imagino que em França haverá recursos a funcionar bem melhor que em Portugal, mas o que não aceito é que se presuma ser apenas na área da saúde, isto é, existem diferenças de tal ordem entre os países que terão reflexos em todas as áreas. E o que acho de todo inaceitável é que personalize a questão: os médicos de frança são dignos e competentes, os de cá serão uns bicharocos arrogantes e ambiciosos. Uns juraram a Hipócrates, outros a Hipócritas. Honestamente, não me parece!

E continuando nas diferenças entre os dois Países, o que também acho engraçado em toda esta discussão é que toda a gente está pronta a apontar culpados, mas ninguém olha à própria culpa. Falou a Susana dos atrasos. Sim, dos médicos. Mas pergunto: Portugal é um pais de pessoas pouco pontuais ou de médicos pouco pontuais? Será legítimo apontar um defeito de todos nós apenas aos outros? Os médicos deste país são, maioritariamente, oriundos desta sociedade, da qual todos somos responsáveis. (e depois há os doentes que marcam consultas profilaticas ás quais não comparecem porque entretanto já não precisam, os utentes que recorrem porque querem baixa fraudulenta..blá blá blá).

Concordo plenamente quando a Susana fala da criação de condições necessárias para responder ao fecho de apeadeiros inúteis, como verá num dos posts anteriores.

Espero que possamos continuar esta conversa tão estimulante

O Efeito Bruni

Sábado, 5 de Janeiro, 2008

A avaliar pelo número de visitas que temos, diariamente, com buscas no google por Carla Bruni, parece-me que vamos ter que contratar a moça para fazer uma sessão de Karaoke aqui no bar. Isto apenas porque o previdente don-vito (que não me diga que foi inadvertido) colocou uma foto da jovem com o novo namorado, faz agora uma semanita, numa parede discreta do nosso espaço!

Talvez seja uma boa estratégia, para ganhar popularidade, colocar uma foto da menina e o respectivo nome, em cada post, independentemente do teor do mesmo. Que acham colegas?

Não sabia que a jovem cantora tinha tanto sucesso. Será mesmo pela música? Sarko, rapaz, cuida-te, parece que terás mau olhado para 50 encarnações.

Obrigado Dolly!

Sexta-feira, 4 de Janeiro, 2008

A decisão da FDA (Food and Drug Association, a equivalente Americana para a nossa europeia EMEA) ao permitir a comercialização de carne e leite de animais clonados parece ser o 1º resultado prático do famigerado processo de clonagem, dado a conhecer ao mundo há uma década através da simpática Dolly.

Alguns debates cerrados e muitas manifestações mais ou menos sensatas depois, aquela que considero a hipótese de benefício mais incontestável em todo o processo ganha forma. A médio prazo a perspectiva será diminuir o custo dos bens essenciais por aumento da oferta/disponibilidade. O potencial disto é infinito!

Mas tantas e novas questões éticas se afiguram no horizonte.. Querem apostar?

Aceitam-se sugestões para um debate interessante!

Foi praga

Sexta-feira, 4 de Janeiro, 2008

Manuel Fernandes detido pela polícia na noite de Valência 

 

 

 

Se as minhas pragas continuam a resultar…

Sugestão

Sexta-feira, 4 de Janeiro, 2008

O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford

Western não é a minha casa. Mas o livro é extraordinário (Ron Hansen), a banda sonora imperdível (Nick Cave e Warren Ellis), logo, os 160 minutos do filme não podem ser maus.

Se a gordura pagasse imposto…

Quinta-feira, 3 de Janeiro, 2008

 

Governo decide baixar o IVA nos ginásios (de 21 para 5%) por forma a promover o aumento da prática de exercício físico..

Uma autentica machadada no ego dos portugueses. Menos dois motivos para cantar o fado. De uma penada se vão a barriga e a despesa extra.

E um dos hits das anedotas dos anos 80 e 90: Se a gordura pagasse imposto.. (como é que era mesmo?).. andavas todo carimbado !

Eduardo, José, e a sombra de António

Quinta-feira, 3 de Janeiro, 2008

 

Eduardo Ferro Rodrigues quebrou um longo silêncio através de uma entrevista à revista Visão, na qual defende, sucintamente, que o governo deve perder alguns tiques de autoritarismo e arrogância quando decide de forma a pedir à população que “aperte o cinto”.

Ponto prévio: Tenho, de Ferro Rodrigues, a melhor impressão pessoal. Sempre transpareceu nele uma honestidade e seriedade inabaláveis, o que torna mais vil a reclusão a que foi subitamente sujeito, mais ainda pela forma como esta decorreu. De previsível primeiro ministro passou em sucessão rápida a putativo implicado no processo Casa Pia para de imediato assisitir a uma conjuntura política que levou a uma inevitável nomeação de Pedro Santana Lopes a PM. Se este acto, para nós portugueses, foi catastrófico, para FR configurou uma punhalada funda do amigo pessoal Jorge Sampaio. Repito, foi um passo inevitável. Considero que, independentemente de amizades (alguma dúvida que a politica deve ser assim?) Jorge Sampaio não podia ter feito outra coisa. Desde então temos Ferro Rodrigues na sombra, nos confortos da cidade luz, mas a viver o fim precoce da sua carreira politica.

Quebra agora o silêncio, entre outras considerações, para falar da propalada arrogância administrativa de Sócrates. Parece-me despropositado este arremesso de pedras para o ar. No fundo aplaude-se sempre o desejo de humildade e boas maneiras, o que de certa forma se enquadra perfeitamente na imagem que tenho de Ferro Rodrigues. O que não se esquecerá decerto é de ter feito parte do executivo mais inábil e pouco actuante de que me lembro. Na sombra de António Guterres, com Portugal em saudoso crescimento económico e Ferro Rodrigues, por exemplo, à frente da Segurança Social, as contas do país não se fizeram (é uma questão de fazer as contas, dizia quem nunca as fez) e tudo ficou em águas de bacalhau.

Corria 98, era Sócrates ministro do ambiente, e os remoques anti incineradores de Alegre e outros que tais tinham apoio governativo. O País ficava na mesma. Percebia-se que ministro tinha coragem politica

Votava-se em assembleia a despenalização do aborto e voltava-se atrás no resultado da votação - O País ficava na mesma.

O que estranho é que agora, herdado um país pior, por ter ficado na mesma quando deveria ter evoluído, e com a catastrófica dupla Durão/Santana pelo meio, dizia eu, agora, um país moribundo em que urge FAZER, quando se faz, questiona-se o tom de voz! Impressiona-me a falta de tacto de Ferro Rodrigues.

 Como disse, pedras ao ar são pedras na cabeça, quase sempre.

Pediram ou exigiram um arrogante, caro Eduardo? Arrogante ou decidido? Ou não pupularista?

 Eu prefiro 10 Josés a um António.

Moleskine

Quarta-feira, 2 de Janeiro, 2008

era Verão e era Agosto.

Era reencontro. Reacender sonhos. A sensação infantil de tentar adormecer e voltar de novo ao mesmo universo.ao mesmo sonho. Os corpos suam. Cheiram mais a agosto que a sexo. Mais a comoção que a prazer.

não te quero perder nunca mais,dizes-me. no canto superior da moleskine o carvão desenha. 6 meses e tão longe. vejo-o pelo canto do olho.dilacera. na ambiguidade prefiro ouvir que ler. é sempre assim a minha forma de ser optimista. qualquer amor vale todas as ilusões. nunca deixarei de o sentir.

quando o telefone toca acordo.não sei em que delirio me encontrava. a voz sai rouca e o cigarro vai longe.apetece escrever sem sentido. na certeza de que qualquer agosto é melhor que qualquer setembro.

Dig, Lazarus, Dig!!!

Quarta-feira, 2 de Janeiro, 2008

18 de Março de 2008 - dia grande. Novo albúm de Nick Cave and the Bad Seeds, assíduos deste bar. Voltaremos a ele quando for pertinente.

A este propósito as sabias palavras de um companheiro de copos: Blixa Bargeld (Bad Seed de 83 a 2003)

“There are 3 ways to never become a burned Rock Star:

1) Never be a Rock Star

2) To realize that there’s another life beyond being a Rock Star

3)Never Burn

I chose the second. Nick too, but he still burns”