Eduardo, José, e a sombra de António


Eduardo Ferro Rodrigues quebrou um longo silêncio através de uma entrevista à revista Visão, na qual defende, sucintamente, que o governo deve perder alguns tiques de autoritarismo e arrogância quando decide de forma a pedir à população que “aperte o cinto”.
Ponto prévio: Tenho, de Ferro Rodrigues, a melhor impressão pessoal. Sempre transpareceu nele uma honestidade e seriedade inabaláveis, o que torna mais vil a reclusão a que foi subitamente sujeito, mais ainda pela forma como esta decorreu. De previsível primeiro ministro passou em sucessão rápida a putativo implicado no processo Casa Pia para de imediato assisitir a uma conjuntura política que levou a uma inevitável nomeação de Pedro Santana Lopes a PM. Se este acto, para nós portugueses, foi catastrófico, para FR configurou uma punhalada funda do amigo pessoal Jorge Sampaio. Repito, foi um passo inevitável. Considero que, independentemente de amizades (alguma dúvida que a politica deve ser assim?) Jorge Sampaio não podia ter feito outra coisa. Desde então temos Ferro Rodrigues na sombra, nos confortos da cidade luz, mas a viver o fim precoce da sua carreira politica.
Quebra agora o silêncio, entre outras considerações, para falar da propalada arrogância administrativa de Sócrates. Parece-me despropositado este arremesso de pedras para o ar. No fundo aplaude-se sempre o desejo de humildade e boas maneiras, o que de certa forma se enquadra perfeitamente na imagem que tenho de Ferro Rodrigues. O que não se esquecerá decerto é de ter feito parte do executivo mais inábil e pouco actuante de que me lembro. Na sombra de António Guterres, com Portugal em saudoso crescimento económico e Ferro Rodrigues, por exemplo, à frente da Segurança Social, as contas do país não se fizeram (é uma questão de fazer as contas, dizia quem nunca as fez) e tudo ficou em águas de bacalhau.
Corria 98, era Sócrates ministro do ambiente, e os remoques anti incineradores de Alegre e outros que tais tinham apoio governativo. O País ficava na mesma. Percebia-se que ministro tinha coragem politica
Votava-se em assembleia a despenalização do aborto e voltava-se atrás no resultado da votação - O País ficava na mesma.
O que estranho é que agora, herdado um país pior, por ter ficado na mesma quando deveria ter evoluído, e com a catastrófica dupla Durão/Santana pelo meio, dizia eu, agora, um país moribundo em que urge FAZER, quando se faz, questiona-se o tom de voz! Impressiona-me a falta de tacto de Ferro Rodrigues.
Como disse, pedras ao ar são pedras na cabeça, quase sempre.
Pediram ou exigiram um arrogante, caro Eduardo? Arrogante ou decidido? Ou não pupularista?
Eu prefiro 10 Josés a um António.
4 de Janeiro, 2008 às 15:26
porreta este post, como dizem os brasileiros
4 de Janeiro, 2008 às 15:43