Ainda dizem que nada muda!

Tenho reparado, já há alguns dias, que as coisas mudaram muito desde que deixei a escola.
Não no sentido do aumento de preços, ou da tão falada globalização ou outra coisa qualquer “culpada” por tudo de mal que acontece, mas na atitude matutina de quem vai trabalhar.
Antigamente as pessoas, de manhã, deslocavam-se para o trabalho com aquela cara de enterro de quem não estava a disposto a sair da cama quanto mais de casa. Iam no comboio deprimidas, a pensar no dia duro que se avizinhava. Ou então iam a dormir, para compensar o acordar de madrugada.
Quando voltavam para casa observava-se o contrário. Os sorrisos de alívio e as conversas animadas mostravam a satisfação de voltar para casa, de deixar para trás o chato do patrão e tudo o que se relacionasse com o trabalho.
Hoje em dia a coisa muda de figura. Só eu é que não mudei. Porque quero ir “xoxa” para o trabalho e voltar com o sorriso. Mas 5 minutos depois de estar no comboio acaba-se o meu sossego, desvanece toda a possibilidade de dormitar, de me preparar psicologicamente para mais um dia.
Devo ser a única a querer esse sossego. Todos os outros entram com o espírito exaltado. As suas conversas são piores que as cerejas e os 40 minutos destinados à compensação do meu sono acabam por ser insuportáveis, constantemente interrompidos por gargalhadas e conversés sobre os filhos, namorados, escolas, trabalhos e sei lá mais o quê.
Quando volto para casa, com aquele sorriso de orelha a orelha, lendo o meu livrinho de bolso e explicitamente animada por nenhum motivo especial, senão o simples facto de ir para casa, vêm eles cabisbaixos. Tristes por estarem de volta, o silêncio precioso de manhã proporcionam-me à noite! Tudo bem, aceito. Sempre leio com serenidade. Mas se eles experimentassem esse silêncio de manhã…Ai, isso sim!
Mas a minoria perde e vou ter que continuar a ir para o trabalho nestas condições desumanas.
As coisas mudam e as pessoas afinal não andam assim tão deprimidas, andam?

Comentar

Tem de ter a sessão iniciada para publicar um comentário.