O país está mais pobre
não é pelas manifestações dos professores, nem pelas rábulas de religiosidade social do sr. Louçã, está-o por esta notícia. Num país de analfabetismo atávico, periférico, isolado e inculto, a minha esperança de melhorismo social e cultural residia apenas e tão só no que viesse de fora. Foi essa, aliás, e não outras, a melhor mensagem que o 25 de Abril nos trouxe. Abertura de fronteiras, gente a andar de um lado para o outro a conhecer, a aprender e a ensinar. Os países, e Portugal com maior particularidade, são tanto mais ricos quanto mais emigrantes tiverem. Era, pois, nesse sentido que me parecia ter sido iniciado o caminho, até já tínhamos portugueses loiros de olhos azuis a ganhar campeonatos de xadrez…
De repente a realidade cai sobre nós: Os emigrantes que vêm para Portugal não só estão a diminuir, como os que cá estão arrumam a mala e vão embora. Não há notícia mais triste, nem maior prenúncio de miséria.
