Nada puxa mais pela minha, mediocre, inspiração doutrinária de esquerda, do que uma boa discussão sobre a escola. A escola é, de facto, para a direita pasto para toda a demagogia. Foi, há dias, a discussão sobre as vantagens da escola privada em relação à escola pública (como se os alunos filhos das elites nacionais que frequentam o Colégio Moderno deixassem de ter boas notas por serem colocados numa escola pública da Cova da Moura), agora é a discussão sobre o PISA que até este basbaque, nas páginas do expresso, se deu ao ridículo de produzir umas graçolas.
Como muito bem explicou o Hugo, Portugal tem maus resultados porque tem muitas retenções, já que os resultados dos alunos que transitam de ano posicionam-nos, sensivelmente, ao nível dos restantes países da Europa. Quer isto dizer que a solução para as nossas baixas qualificações está em fazer transitar de ano, administrativamente, toda a gente ? É claro que não!
A solução (que levará décadas a atingir) passa, sobretudo, por fazer com que ninguém tenha que ficar retido. Isto tem a ver com as condições sociais e económicas do país, tem a ver com mobilidade social e tem a ver, ainda, sobretudo, com as famílias.
A retenção é um reflexo de segregação social e cava cada vez mais o fosso de uma sociedade dualista, geradores de todos, ou de muitos, males sociais das sociedades modernas.
Há trinta anos atrás, quando entrei para o ciclo preparatório, nenhum dos meus colegas que começaram a “chumbar” no 5º ano (1º ano do ciclo) alguma vez recuperou a escolaridade ou alcançou uma profissão tecnicamente qualificada. Uns foram para serventes de pedreiro, outros para fábricas metalúrgicas de mão de obra intensa. Têm, quase todos, uma vida profissional e familiar ao nível da expressão e do rendimento médio do país. Não é mau, embora, justamente, pudesse ter sido ainda melhor. Hoje, com a estrutura de qualificações profissionais que o mercado exige, não há, de facto, lugar profissional para as retenções. A não ser as portas das discotecas…